Papéis do Banco de Brasília passaram a ser negociados apenas por leilão; retorno ao sistema contínuo depende da regularização das informações financeiras
A B3 aplicou uma restrição ao Banco de Brasília (BRB) por falta de entrega de informações financeiras obrigatórias. Desde o pregão de segunda-feira (31), as ações e os demais valores mobiliários da instituição passaram a ser negociados pelo regime não contínuo.
Na prática, os investidores ainda podem registrar ordens de compra e venda, mas os negócios não são executados imediatamente durante o pregão. As ordens ficam reunidas em um leilão e as operações são fechadas ao final da sessão, caso haja compatibilidade entre os preços oferecidos por compradores e vendedores.
A medida não representa a suspensão das ações do BRB, mas retira os papéis do sistema comum de negociação da Bolsa e pode reduzir sua liquidez.
BRB deixou de apresentar informações obrigatórias
Segundo a B3, o BRB está inadimplente com a divulgação de diferentes documentos periódicos exigidos das empresas com valores mobiliários negociados no mercado.
Entre as pendências apontadas estão:
- informações financeiras do terceiro trimestre de 2025;
- balanço referente ao exercício de 2025;
- dados do primeiro trimestre de 2026;
- Formulário de Referência de 2026.
O Formulário de Referência reúne informações importantes para os investidores, como estrutura administrativa, fatores de risco, composição acionária, remuneração dos dirigentes e situação financeira da companhia.
Restrição pode ser retirada
A negociação não contínua é prevista no Regulamento de Emissores da B3. Quando uma empresa deixa de apresentar seus dados periódicos, ela é notificada e recebe prazo para prestar esclarecimentos e regularizar a situação.
Após seis meses de descumprimento, os valores mobiliários podem ser automaticamente submetidos ao regime de leilão.
A B3 informou que as ações do BRB somente voltarão ao sistema de negociação contínua depois que o banco entregar todas as informações periódicas pendentes.
Medida amplia pressão sobre o banco
A restrição ocorre em um momento de forte atenção sobre a situação financeira e a governança do BRB. Controlado pelo Governo do Distrito Federal, o banco enfrenta os efeitos das operações realizadas com carteiras de crédito originadas pelo Banco Master.
A demora na apresentação dos balanços dificulta a avaliação precisa da situação patrimonial do banco por investidores, órgãos de fiscalização e pela sociedade.
Até a publicação das informações pendentes, não será possível conhecer integralmente o impacto dessas operações sobre os resultados financeiros da instituição.
Procurado pelas publicações que divulgaram a restrição, o BRB não havia apresentado manifestação específica sobre a decisão da B3 até a última atualização.
Fontes: comunicado oficial da B3 e Metrópoles


