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Celina quer usar carteira de R$ 9 bi para salvar BRB após rombo causado pelo Master

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Governadora afirma que fluxo do Credcesta pode garantir empréstimo bilionário para evitar intervenção no BRB

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247 – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pretende utilizar o fluxo de recebimentos de uma carteira de crédito avaliada em R$ 9 bilhões para tentar viabilizar o socorro financeiro ao BRB (Banco de Brasília), após a crise desencadeada pela liquidação do Banco Master. As declarações foram dadas em entrevista à Folha de São Paulo, publicada nesta quinta-feira (21).O governo do DF busca uma alternativa para capitalizar o BRB sem apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O banco estatal enfrenta dificuldades após perdas relacionadas à compra de ativos e carteiras de crédito ligados ao Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.

Celina afirmou que o fluxo de pagamentos das carteiras do Credcesta, adquiridas pelo BRB junto ao Master, deveria estar sob controle do banco brasiliense, mas acabou sendo direcionado ao liquidante nomeado após a intervenção do Banco Central no Master.

“O fluxo do Credcesta é do banco [BRB]. Ele vale R$ 9 bilhões. Está com o liquidante e deveria estar com o BRB”, disse Celina.

“Eu [o BRB] estou fazendo provisionamento de perda desse fluxo e ele está com liquidante. Pode virar uma garantia, e nós estamos litigando no Supremo”, afirmou.

O governo distrital acionou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar recuperar os recursos. De acordo com Celina, a discussão criminal envolvendo o caso está sob relatoria de Mendonça, enquanto a devolução do fluxo financeiro é debatida na primeira instância da Justiça Federal.

“Estamos discutindo isso nessa ação de primeira instância e pedindo a devolução desse fluxo ao BRB”, declarou.

BRB enfrenta pressão do Banco Central

O BRB precisa realizar até 29 de maio um aumento de capital considerado essencial para evitar o descumprimento das regras prudenciais impostas pelo Banco Central. O plano envolve um empréstimo de R$ 8,8 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a um consórcio formado por grandes bancos.

Sem a capitalização, a instituição pode sofrer intervenção do Banco Central ou até entrar em processo de liquidação extrajudicial.

Inicialmente, o governo do DF tentava obter aval do Tesouro Nacional para garantir a operação, utilizando como contrapartida os recursos federais destinados ao Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). Contudo, segundo a reportagem, o Palácio do Planalto não abriu espaço para negociação.

Celina admitiu que o governo distrital abandonou a expectativa de receber ajuda da União.

A governadora também comentou a negativa do presidente Lula em recebê-la para discutir a situação do BRB. Segundo a Folha, lideranças do Congresso, incluindo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tentaram intermediar o encontro, sem sucesso.

Apesar disso, Celina evitou confronto direto com o presidente.

“Não sou mulher de ressentimentos. Na vida pública, a gente tem que entender, cada um tem um posicionamento”, disse.

Ela acrescentou que a postura do governo federal estaria distante do discurso de diálogo defendido pelo próprio presidente.

Governo tenta transmitir confiança ao mercado

Mesmo diante da crise, Celina Leão afirmou acreditar que o BRB conseguirá cumprir o cronograma exigido pelas autoridades monetárias. O banco já enfrenta problemas relacionados à publicação de seu balanço financeiro e sofre cobrança de multas diárias pelo atraso. “A gente está cumprindo e vai dar certo. Faremos dentro do cronograma previsto”, ressaltou.

“Já cumprimos quase 70% do que nos comprometemos com o BC”, acrescentou.

A governadora também afirmou que o problema de liquidez da instituição teria sido solucionado após um acordo envolvendo ativos originados no Banco Master. Segundo ela, esses ativos, avaliados em R$ 15 bilhões, foram transferidos para um fundo gerido pela Quadra Capital.

De acordo com Celina, o BRB já recebeu aproximadamente R$ 1 bilhão da operação e aguarda outros R$ 3 bilhões até o fim do mês. “Não tem problema mais de liquidez. Já foi resolvido”, afirmou.

O Banco Central acompanha diariamente a situação financeira do BRB, especialmente sua capacidade de honrar compromissos e pagamentos.

Celina rebate críticas e cita gestão Ibaneis

A governadora também reagiu às críticas de adversários políticos, que a acusam de tentar empurrar os problemas financeiros do BRB para depois das eleições.

“Adversários falam um monte de mentiras de mim faz três anos. Mas eu estou preocupada com a solução que eu vou dar”, declarou.

Celina atribuiu parte da crise fiscal do Distrito Federal à gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), com quem hoje mantém divergências políticas. Segundo ela, havia forte descontrole orçamentário quando assumiu o comando do GDF.

“Gastou-se mais do que tinha o Orçamento. Um descontrole orçamentário”, criticou.

Ela afirmou que encontrou cerca de R$ 5 bilhões em despesas sem previsão orçamentária e disse ter adotado medidas de contenção, incluindo troca da equipe econômica, redução de contratos e corte de gastos da máquina pública.

“Houve a necessidade de vários decretos, de ajustes econômicos, que foram feitos todos por mim, trocando equipe econômica, reduzindo contrato em 25% e diminuindo o gasto da máquina pública para se ajeitar dentro do orçamento”, afirmou.

Governadora descarta privatização do BRB

Apesar da gravidade da situação financeira, Celina Leão garantiu que não existe risco de privatização do BRB. Segundo ela, o banco continuará atuando como instituição regional voltada à população do Distrito Federal.

“Apesar de ter sido muito grave a situação, o banco tem toda condição de voltar a ser aquilo que eu entendo que é a vocação dele: um banco regional, um banco para cuidar da população de Brasília”, disse.

A governadora também minimizou rumores sobre uma possível delação premiada do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. “O Ibaneis tem que responder ele. Mas sobre delatar [a mim], minha preocupação é zero”, afirmou.

Celina declarou ainda que nunca teve proximidade com o ex-dirigente do banco.

“Eu não tinha relacionamento com o Paulo Henrique, nós éramos desafetos, todo mundo sabia disso”, disse. “Não há um áudio, uma mensagem sobre Master. Nada, absolutamente nada”, acrescentou.

Em nota enviada à Folha de S.Paulo, o BRB afirmou que as carteiras do Credcesta foram regularmente transferidas para o banco e que os fluxos financeiros seguem vinculados à instituição, mesmo após a liquidação do Banco Master.

Segundo o banco, cabe ao liquidante realizar os repasses dos valores devidos ao BRB conforme previsto nos contratos das operações.

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