DF fica mais grisalho: idosos avançam, jovens diminuem e número de pessoas morando sozinhas dispara

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Crescimento da população 60+ transforma perfil social e habitacional da capital federal

 

O Distrito Federal passa por uma profunda transformação demográfica. Dados da edição 2025 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE, mostram que a capital do país está mais envelhecida, com menos jovens e um número crescente de pessoas optando por morar sozinhas.

Em pouco mais de uma década, a participação dos moradores com menos de 30 anos caiu significativamente. Em 2012, esse grupo representava 50,7% da população do DF. Em 2025, passou para 42,8%. Enquanto isso, os moradores com 30 anos ou mais se tornaram maioria consolidada, chegando a 57,3%.

O envelhecimento é percebido especialmente na população idosa. O percentual de pessoas com 60 anos ou mais praticamente dobrou no período, saltando de 8,4% para 13,9%. Já o número de crianças pequenas diminuiu: a faixa de 0 a 4 anos caiu de 7,5% para 5,4%.

Outro dado que chama atenção é o avanço dos domicílios unipessoais. Em 2012, apenas 13,9% das residências eram ocupadas por uma única pessoa. Hoje, esse índice chega a 19,9%, revelando mudanças importantes no estilo de vida e na organização familiar dos brasilienses.

Entre aqueles que vivem sozinhos, a maioria está na faixa entre 30 e 59 anos, representando 52,9% do total. Já os idosos somam 32,2% desse grupo, percentual que cresceu de forma expressiva nos últimos anos.

A pesquisa também aponta diferenças entre homens e mulheres nesse perfil. Entre os homens que moram sozinhos, predominam adultos de meia-idade. Já entre as mulheres, quase metade das moradoras solitárias tem mais de 60 anos.

Mesmo com as mudanças, o modelo familiar mais comum no DF continua sendo o núcleo formado por casal com ou sem filhos. Ainda assim, esse formato perdeu espaço ao longo dos últimos anos, refletindo novas dinâmicas sociais e econômicas.

No setor habitacional, o DF mantém uma característica única no país: é a unidade da Federação com maior proporção de apartamentos. Atualmente, 38,5% dos domicílios são apartamentos, índice recorde nacional. Além disso, o Distrito Federal lidera o percentual de imóveis alugados no Brasil.

Os dados mostram ainda bons indicadores de infraestrutura urbana. A ampla maioria dos domicílios conta com abastecimento regular de água, tratamento de esgoto e eletrodomésticos básicos, como geladeira e máquina de lavar.

A mudança no perfil etário e nos modelos de moradia indica novos desafios para políticas públicas nas áreas de saúde, mobilidade, habitação e assistência social, especialmente voltadas à população idosa, que cresce ano após ano na capital federal.

 

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