A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) apuram um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo a Associação Beneficente Evangélica (ABE), entidade responsável pela gestão de creches conveniadas no Distrito Federal.
Segundo relatório policial citado pelo Metrópoles, a investigação mira três pastores e outras pessoas ligadas à organização. A suspeita é de que a estrutura da associação tenha sido usada para movimentar dinheiro público por meio de dirigentes de fachada, empresas vinculadas a familiares e contratações sob suspeita.
R$ 117 milhões em contratos
Fundada em 1984 pela Assembleia de Deus de Brasília, a ABE mantém 18 unidades no DF. De acordo com a apuração, a entidade administrou aproximadamente R$ 117 milhões em contratos firmados com a Secretaria de Educação do Distrito Federal entre 2012 e 2025.
Esse valor representa o total gerido nos contratos analisados e não o montante supostamente desviado. Até o momento, os investigadores não informaram quanto teria sido efetivamente retirado dos cofres públicos. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e o Tribunal de Contas do DF (TCDF) teriam identificado irregularidades nas prestações de contas de 2024 e 2025.
Convênios federais também são apurados
A investigação alcança ainda dois acordos celebrados em 2024 com os ministérios da Cultura e do Trabalho e Emprego, que somaram cerca de R$ 850 mil. Conforme o relatório citado, mais de R$ 420 mil teriam sido direcionados a uma papelaria de Taguatinga.
A empresa, chamada Bras Gel, teria incluído posteriormente a atividade de ensino de música em seu cadastro. A então sócia-administradora era Poliana Rodrigues Lopes Xavier, nora de Manoel Pereira Xavier, pastor apontado pelos investigadores como um dos responsáveis pela condução informal da associação.
Direção formal e vínculos familiares
O presidente formal da ABE, Willthimberg Bittencourt da Silva, é tratado pela PF como possível interposto no comando da entidade. A apuração sustenta que decisões relevantes seriam tomadas por Manoel Pereira Xavier e por sua esposa, Maria Marta Xavier, identificada como diretora financeira e pedagógica.
Outros parentes aparecem no material da investigação. Jesimiel Pereira Xavier, filho do casal, teria trabalhado na associação, enquanto Orcival Pereira Xavier, irmão de Manoel e liderança religiosa, é citado por sua relação institucional com a igreja responsável pela criação da entidade.
O pastor Ademar de Sena Sampaio também é investigado. Segundo a apuração, ele teria atuado como tesoureiro, contador e prestador de serviços da rede. Ademar ocupa cargo comissionado no gabinete do deputado distrital Iolando e também figura em outra investigação da PF, denominada Operação Dark Horse.
Apuração começou após denúncia
O caso teve início em maio de 2025, depois de uma denúncia anônima. Ao todo, 12 pessoas são investigadas. A existência de investigação não significa culpa: as suspeitas ainda precisam ser comprovadas, e todos os citados têm direito à defesa e à presunção de inocência.
Até a publicação desta matéria, não havia informação sobre denúncia criminal ou condenação relacionada a esse inquérito. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.
Com informações do Metrópoles e de documentos mencionados na reportagem.


