Editoria: Tecnologia / Saúde
Brasília, 29 de outubro de 2026. Uma pesquisa internacional com participação da Universidade de São Paulo e do Instituto do Coração (InCor) desenvolveu um modelo de inteligência artificial para identificar sinais de infarto causado por obstrução aguda de artéria coronária a partir de eletrocardiogramas. A ferramenta ainda é experimental e não está autorizada para uso clínico rotineiro.
Treinamento com milhares de exames
Segundo a Agência FAPESP, o algoritmo foi treinado com 540.372 registros de eletrocardiograma de pacientes atendidos na Suécia. Os resultados foram posteriormente avaliados com diferentes bases independentes, inclusive dados de 401 pacientes do InCor, em São Paulo.
A proposta é reconhecer padrões sutis de falta de circulação sanguínea no músculo cardíaco, inclusive quando o traçado não apresenta alterações clássicas. Na validação brasileira, a ferramenta mostrou desempenho promissor tanto em casos com sinais característicos quanto naqueles mais difíceis de reconhecer.
O que ainda falta
Os pesquisadores ressaltam que identificar indícios de obstrução não equivale a estabelecer sozinho o diagnóstico ou indicar medicamentos. A avaliação clínica, os exames laboratoriais e o cateterismo, quando necessário, permanecem essenciais. Novas pesquisas deverão avaliar o funcionamento da IA no atendimento real, além das exigências regulatórias para eventual aplicação médica.
O estudo foi publicado na revista Nature Communications e reúne pesquisadores brasileiros e suecos. A expectativa é que, se for validada, a ferramenta possa ajudar equipes de emergência a reconhecer rapidamente pacientes que precisam de atendimento especializado.
Fontes: Agência FAPESP, 27/10/2026; Nature Communications.


