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Eleições 2026

Debate da Band não empolga e candidatos pouco avançam na conquista do eleitor do DF

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OPINIÃO

Encontro entre os principais nomes na disputa pelo Palácio do Buriti teve críticas à atual gestão, provocações e tentativas de diferenciação, mas faltou entusiasmo capaz de contagiar o eleitorado

 

A TV Bandeirantes Brasília realizou um debate entre seis candidatos ao Governo do Distrito Federal: Celina Leão, José Roberto Arruda, Paula Belmonte, Kiko Caputo, Ricardo Cappelli e Leandro Grass. Foi uma oportunidade para que os postulantes ao Palácio do Buriti apresentassem suas propostas, confrontassem ideias e, principalmente, tentassem conquistar o eleitor que ainda não decidiu em quem votar.

A impressão que ficou, entretanto, foi de um debate pouco empolgante. Apesar das divergências e das críticas trocadas no estúdio, nenhum dos participantes pareceu demonstrar entusiasmo suficiente para transformar o encontro em um momento capaz de mobilizar o eleitorado. Faltou energia, novidade e, principalmente, uma mensagem que permanecesse na cabeça do telespectador depois que as câmeras fossem desligadas.

Celina Leão apresentou-se com uma postura de bastante confiança. Atual governadora e ex-vice-governadora de Ibaneis Rocha, transmitiu a impressão de quem entra na disputa consciente da vantagem proporcionada pela exposição e pela estrutura de quem ocupa o Palácio do Buriti. Em vários momentos, pareceu pouco incomodada com os ataques dos adversários.

Problemas importantes do Distrito Federal, como saúde, educação e segurança, foram utilizados pelos concorrentes para questionar a atual administração. Outro assunto inevitável foi o BRB, tema que se transformou em uma das principais vulnerabilidades políticas do grupo governista. Ainda assim, Celina procurou não demonstrar preocupação e chegou a adotar um tom de ironia em alguns momentos, especialmente nos embates com Paula Belmonte.

José Roberto Arruda entrou no debate carregando algo que nenhum outro participante possui na mesma proporção: uma longa história política no Distrito Federal. Ex-governador, ex-senador e personagem conhecido do eleitor brasiliense, Arruda procurou utilizar a experiência administrativa como credencial. Ao mesmo tempo, sua trajetória política também oferece aos adversários um amplo terreno para questionamentos. Sua missão no debate era mostrar que ainda representa uma alternativa competitiva ao atual grupo que governa Brasília.

Paula Belmonte buscou ocupar justamente o espaço de oposição mais incisiva. Demonstrou disposição para confrontar a governadora e questionar pontos da atual administração. Em alguns momentos, porém, o embate pessoal acabou ganhando espaço que poderia ter sido utilizado para apresentar de maneira mais detalhada aquilo que pretende fazer caso chegue ao Buriti.

Ricardo Cappelli procurou apresentar-se como uma alternativa ao confronto entre os grupos políticos que já protagonizaram outras eleições no Distrito Federal. Com experiência na administração pública federal, tentou transferir essa trajetória para o debate local e mostrar capacidade de gestão. Seu desafio, contudo, continua sendo transformar experiência administrativa em identificação popular e ampliar seu conhecimento junto ao eleitorado brasiliense.

Leandro Grass também buscou marcar posição como oposição ao atual governo. Já conhecido por sua atuação política no Distrito Federal e por ter disputado anteriormente o Palácio do Buriti, mostrou domínio de alguns dos problemas da cidade. Entretanto, assim como ocorreu com outros participantes, faltou uma mensagem de maior impacto que pudesse diferenciá-lo claramente dos demais candidatos de oposição.

Kiko Caputo, por sua vez, teve diante de si talvez o desafio mais difícil da noite: aproveitar a exposição proporcionada pelo debate para ampliar seu conhecimento junto ao grande público. Em uma disputa com nomes que já ocuparam cargos de grande visibilidade, candidatos menos conhecidos precisam transformar cada minuto de televisão em oportunidade para apresentar identidade própria e propostas facilmente compreendidas pelo eleitor.

No conjunto, o debate cumpriu a função democrática de colocar os candidatos frente a frente, mas ficou devendo emoção política. Houve críticas, acusações, respostas e algumas provocações, porém pouco se viu de propostas capazes de produzir entusiasmo.

E talvez esse tenha sido o principal retrato da noite: candidatos falando para um eleitorado que ainda espera ser convencido.

A campanha está apenas começando e haverá tempo para que cada concorrente apresente melhor suas propostas. Mas, se depender exclusivamente do que foi mostrado nesse primeiro confronto televisivo, o eleitor do Distrito Federal ainda terá muito a observar antes de decidir quem deverá comandar o Palácio do Buriti pelos próximos quatro anos.

 

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