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Comércio eletrônico pós-pandemia, veja o que mudou no comportamento do consumidor

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Do lockdown à tela do celular: como o e-commerce virou rotina e desafia ao varejo tradicional

 

 

Cinco anos após o início da pandemia de Covid-19, o comércio eletrônico não apenas se consolidou como um pilar da economia global, mas também transformou de forma irreversível os hábitos de consumo. O que começou como uma necessidade em 2020, com lojas fechadas e lockdowns, virou uma preferência para milhões de brasileiros. Dados recentes da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) apontam que, em 2024, o e-commerce nacional faturou R$ 205 bilhões, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Mas o que está por trás dessa mudança duradoura?

Conveniência e novos hábitos
A dona de casa Mariana Silva, 38 anos, de São Paulo, é um exemplo típico do novo perfil de consumidor. “Antes, eu ia ao mercado toda semana. Hoje, faço 90% das compras pelo celular. É mais rápido e consigo comparar preços”, conta. A praticidade, aliada à entrega em domicílio, conquistou até os mais resistentes. Um estudo da consultoria NielsenIQ mostra que, em 2025, 62% dos brasileiros com acesso à internet já preferem comprar online itens básicos, como alimentos e produtos de higiene — algo impensável há uma década.

O impacto nas lojas físicas
Enquanto o digital avança, o varejo tradicional sente o baque. Em cidades médias, como Ribeirão Preto (SP), pequenos comerciantes relatam quedas de até 30% no movimento desde 2022. “As pessoas passam na frente da loja, mas compram pelo aplicativo”, lamenta João Carlos, dono de uma papelaria há 20 anos. Grandes redes, por outro lado, adaptaram-se: Magazine Luiza e Americanas, por exemplo, investiram pesado em logística e marketplaces, transformando suas lojas físicas em mini-centros de distribuição.

Tecnologia e personalização
Outro fator que explica o boom do e-commerce é a sofisticação das plataformas. Inteligência artificial agora recomenda produtos com precisão quase cirúrgica, baseada no histórico de compras e navegação. “Você nem percebe, mas o site já sabe o que você quer antes de você decidir”, explica Ana Ribeiro, especialista em marketing digital. Em 2024, 40% das vendas online no Brasil vieram de sugestões personalizadas, segundo a Ebit|Nielsen.

Desafios e o futuro
Nem tudo são flores. A logística, embora mais eficiente, ainda enfrenta gargalos, como atrasos em regiões afastadas e o aumento do custo do frete — reclamação recorrente entre consumidores. Além disso, a concorrência internacional, com gigantes como Shein e Amazon, pressiona os preços e desafia o varejo local. “Precisamos de políticas públicas que equilibrem essa disputa”, defende Pedro Almeida, economista da FGV.

O comércio eletrônico pós-pandemia não é mais uma tendência passageira, mas uma revolução consolidada. Para especialistas, o próximo passo é a integração total entre online e offline, com experiências híbridas, como provadores virtuais e entregas em horas. Uma coisa é certa: o consumidor mudou — e as empresas que não acompanharem essa transformação correm o risco de ficar para trás.

 

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