Quase 460 mil pessoas com 60 anos ou mais estão aptas a votar no Distrito Federal. O avanço desse grupo reforça seu poder de decisão e obriga candidatos a olhar com mais atenção para saúde, mobilidade, renda e combate ao etarismo.
O eleitorado do Distrito Federal está mais velho — e também mais influente. Em 2026, quase 460 mil eleitores brasilienses têm 60 anos ou mais, número 24% superior ao registrado nas eleições de 2022, quando eram cerca de 370 mil. Os dados, reunidos pela Câmara Legislativa do Distrito Federal a partir das estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral, mostram que uma em cada cinco pessoas aptas a votar na capital federal está nessa faixa etária.
O crescimento transforma a população 60+ em um dos segmentos mais relevantes da disputa eleitoral. O Distrito Federal tem aproximadamente 2,25 milhões de eleitores aptos. Dentro do grupo idoso, 55,7% têm entre 60 e 69 anos e ainda estão sujeitos ao voto obrigatório. Para quem já completou 70 anos, o comparecimento é facultativo, mas isso não significa menor interesse pela vida pública.
Participação que vai além do voto
A presença crescente das pessoas idosas nas urnas acompanha uma mudança demográfica mais ampla. A população do DF envelhece rapidamente, enquanto algumas faixas mais jovens diminuem no cadastro eleitoral. Entre 2022 e 2026, por exemplo, o número de eleitores de 16 e 17 anos caiu 38,7%, passando de aproximadamente 31 mil para 19 mil.
Na prática, o eleitorado maduro ganha capacidade para influenciar não apenas a escolha do governador, senadores, deputados e presidente, mas também os temas que dominam a campanha. Questões como tempo de espera no SUS, fornecimento de medicamentos, transporte público acessível, segurança, moradia, oportunidades de trabalho depois dos 60 e proteção contra golpes financeiros tendem a receber cobrança maior.
O envelhecimento também desafia partidos e candidatos a abandonar uma visão limitada sobre a velhice. A população 60+ não forma um bloco homogêneo: reúne pessoas que trabalham, estudam, empreendem, cuidam da família, praticam atividades físicas, participam de movimentos sociais e têm opiniões políticas variadas. Ouvir esse eleitorado significa reconhecer sua diversidade e seu protagonismo.
Sem biometria também é possível votar
O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal esclarece que a falta de cadastro biométrico não impede o voto, desde que a situação eleitoral esteja regular. A consulta pode ser feita gratuitamente pelo site da Justiça Eleitoral ou pelo aplicativo e-Título.
O aplicativo também permite verificar zona, seção e endereço do local de votação. Para utilizá-lo como documento de identificação, porém, é necessário que apareça a fotografia do eleitor. Caso a foto não esteja disponível, deve-se levar um documento oficial com imagem.
Outra recomendação importante é conferir o local de votação com antecedência. O TRE-DF informou que algumas seções eleitorais mudaram de endereço para o pleito de 2026. A verificação prévia evita deslocamentos desnecessários, dificuldade de acesso e atrasos, especialmente para quem possui mobilidade reduzida.
Direito à acessibilidade
Eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida têm direito a recursos de acessibilidade e ao auxílio de uma pessoa de confiança quando isso for indispensável. A urna eletrônica dispõe de identificação das teclas em braile e recursos sonoros. No dia da eleição, é recomendável levar documento oficial com foto e, se possível, já chegar sabendo a ordem dos cargos em disputa.
Mais do que uma estatística, o avanço do eleitorado idoso revela uma mudança no centro das decisões do Distrito Federal. Quem pretende governar Brasília terá de apresentar propostas concretas para uma população que vive mais, acompanha o debate público e quer participar ativamente da construção da cidade.
Fontes: Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).


