Representação entregue ao MPDFT questiona 14 pagamentos de R$ 100 mil feitos por uma prestadora de serviços do governo à Faceng Engenharia
Cinco candidatos ao Governo do Distrito Federal protocolaram, nesta terça-feira (8), uma representação no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pedindo a investigação de pagamentos feitos pela Real JG Facilities à Faceng Engenharia, empresa ligada ao marido e à filha da governadora Celina Leão (PP).
O pedido foi assinado por José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo), adversários de Celina na disputa pelo Palácio do Buriti.
A representação questiona 14 pagamentos de R$ 100 mil realizados entre maio de 2025 e junho de 2026. Os repasses somam R$ 1,4 milhão e foram destinados à Faceng, que tem como sócio-administrador Fabrício Faleiro Ferreira, marido da governadora. Bruna Victória Leão Machado de Araújo, filha de Celina, também integra o quadro societário da empresa.
Os pagamentos foram revelados inicialmente pela coluna da jornalista Bela Megale, do jornal O Globo. A apresentação da representação não significa que alguma irregularidade tenha sido comprovada. Caberá ao MPDFT analisar os documentos e decidir se existem elementos para abrir uma investigação.
Empresa mantém contratos com órgãos do GDF
A Real JG Facilities presta serviços a diferentes órgãos públicos do Distrito Federal. Dados do Portal da Transparência citados pela imprensa indicam que a companhia recebeu mais de R$ 2 bilhões do governo local entre 2013 e 2026.
Entre os órgãos e entidades que contrataram a empresa estão as secretarias de Educação, Economia e Administração Penitenciária, além da Novacap, do Detran-DF, do extinto DFTrans, do Tribunal de Contas do Distrito Federal e da Vice-Governadoria.
Em agosto de 2024, quando Celina Leão ainda era vice-governadora, o gabinete da Vice-Governadoria firmou com a Real JG um contrato de aproximadamente R$ 2,23 milhões, com vigência prevista até agosto de 2029.
Segundo a assessoria de Celina e a defesa da Real JG, essa contratação ocorreu por meio de pregão eletrônico do qual participaram 36 empresas. O contrato prevê o fornecimento de sete trabalhadores, materiais e equipamentos para atender à estrutura da Vice-Governadoria.
Pagamentos começaram em maio de 2025
Os repasses da Real JG para a Faceng começaram em maio de 2025, cerca de nove meses depois da assinatura do contrato com a Vice-Governadoria.
Até 28 de março de 2026, quando Celina assumiu o comando do Governo do Distrito Federal, os pagamentos acumulavam R$ 1 milhão. Outras quatro notas fiscais de R$ 100 mil foram emitidas depois da posse, elevando o total para R$ 1,4 milhão.
A representação também pede esclarecimentos sobre outro pagamento de R$ 100 mil feito à Faceng em julho. Nesse caso, a nota fiscal foi emitida para a 3J Facilities, empresa que presta serviços à Real JG.
Os candidatos querem que o Ministério Público examine a relação comercial entre as empresas e verifique se houve conflito de interesses ou qualquer outra irregularidade.
Notas fiscais não identificam as obras
As notas fiscais apresentadas nas reportagens descrevem atividades relacionadas à administração de obras de construção civil, hidráulicas e elétricas. Os documentos, entretanto, não informariam os endereços, os projetos, as etapas executadas ou as medições dos serviços.
A representação solicita acesso aos contratos, termos de referência, pesquisas de preços, ordens de serviço, relatórios de fiscalização, notas fiscais e comprovantes de pagamento.
Os autores também pedem que sejam identificados os responsáveis pelo acompanhamento dos contratos públicos mantidos pela Real JG.
Empresas negam irregularidades
A assessoria de Fabrício Faleiro Ferreira afirmou que os pagamentos correspondem ao acompanhamento e à fiscalização de obras privadas realizadas no Distrito Federal e em Goiás.
Segundo a manifestação, a Faceng não possui contratos para execução de obras com o GDF e os serviços questionados já foram concluídos.
A Real JG apresentou explicação semelhante. A empresa declarou que a Faceng foi contratada para prestar acompanhamento e assessoramento na área da construção civil, sem participação na execução de obras públicas.
As informações disponíveis até agora não comprovam desvio de recursos nem participação da governadora nas relações comerciais entre as empresas. O objetivo da representação é justamente solicitar ao MPDFT que verifique os documentos e esclareça as circunstâncias dos pagamentos.
As informações sobre a representação foram publicadas pelo Correio Braziliense, enquanto os detalhes dos pagamentos e as manifestações das empresas foram reunidos pelo Brasil de Fato DF.


