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Distrito Federal

Mulheres lésbicas ainda enfrentam preconceito e falhas no atendimento de saúde

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No Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, especialistas defendem consultas sem julgamentos e prevenção baseada nas necessidades de cada paciente

 

O preconceito e a falta de preparo de parte dos serviços de saúde ainda dificultam o acesso de mulheres lésbicas a consultas, exames preventivos e informações sobre saúde sexual. O alerta ganhou destaque durante o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado em 29 de agosto.

Um dos problemas começa quando profissionais presumem que todas as pacientes mantêm relações sexuais com homens. Essa visão pode gerar perguntas inadequadas, orientações incompatíveis com a realidade da mulher e constrangimento durante a consulta.

O receio de sofrer discriminação também pode levar pacientes a esconder informações importantes, adiar exames ou abandonar o acompanhamento médico.

Segundo o Correio Braziliense, uma em cada quatro participantes do I LesboCenso Nacional relatou ter sofrido discriminação durante atendimento ginecológico. O levantamento, publicado em 2022, ouviu cerca de 22 mil mulheres lésbicas no país.

Risco de infecções também existe

A ideia de que relações sexuais entre mulheres não oferecem risco de infecções sexualmente transmissíveis é equivocada. A transmissão pode ocorrer pelo contato entre pele, mucosas e secreções, além do compartilhamento de acessórios sem a higienização ou proteção adequada.

Entre as infecções que podem ser transmitidas estão HPV, herpes, sífilis e tricomoníase. Por isso, a avaliação deve considerar as práticas sexuais e as formas de exposição de cada paciente, sem generalizações baseadas em sua orientação sexual.

Mulheres lésbicas também devem receber orientação sobre vacinação contra HPV e hepatites, uso de métodos de barreira, realização de testes e demais medidas preventivas.

Exames ginecológicos continuam necessários

A orientação sexual não elimina a necessidade de rastreamento do câncer do colo do útero. Mulheres que possuem colo uterino e atendem aos critérios estabelecidos para o exame devem manter o acompanhamento recomendado.

O atendimento também precisa respeitar o conforto e a anatomia de cada mulher. O tamanho do espéculo, por exemplo, não deve ser escolhido apenas com base na orientação sexual da paciente.

Antes de qualquer procedimento, o profissional deve explicar como o exame será realizado, perguntar sobre experiências anteriores e permitir que a mulher manifeste desconforto ou solicite a interrupção.

Desigualdade amplia as barreiras

Mulheres lésbicas negras, indígenas ou em situação de vulnerabilidade econômica podem enfrentar obstáculos adicionais. Além da lesbofobia, podem estar presentes racismo, dificuldade para marcar consultas, distância dos serviços, incompatibilidade de horários e demora no encaminhamento para especialistas.

Dados citados pela reportagem mostram que, entre 2021 e 2023, a cobertura nacional do rastreamento do câncer do colo do útero pelo SUS entre mulheres de 25 a 64 anos foi de 39,03%. A cobertura chegou a 43,71% entre mulheres brancas, mas ficou em 36,20% entre mulheres não brancas e em 37,58% entre indígenas.

Atendimento especializado no Distrito Federal

Em Brasília, o Ambulatório LGBTQIA+ do Hospital Universitário de Brasília recebe mulheres lésbicas que enfrentam sofrimento relacionado à orientação sexual, ao preconceito ou ao estigma. Após a avaliação inicial, as pacientes podem ser direcionadas para outros serviços conforme suas necessidades.

Embora os ambulatórios especializados sejam importantes, o atendimento respeitoso não deve ficar restrito a essas unidades. Postos de saúde, hospitais e clínicas também precisam estar preparados para acolher mulheres lésbicas sem discriminação.

A capacitação deve incluir médicos, enfermeiros, recepcionistas e os demais trabalhadores da rede. O acolhimento começa no primeiro contato e depende de uma comunicação que não trate a heterossexualidade como regra.

O desafio é garantir que nenhuma mulher precise esconder sua orientação sexual para receber assistência adequada. Mais do que criar uma ginecologia separada, é necessário oferecer um cuidado individualizado, tecnicamente correto e capaz de reconhecer diferentes experiências de sexualidade, corpo, maternidade e saúde.

 

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