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60+

Número de pessoas com mais de 60 anos trabalhando cresce no Distrito Federal

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Comércio, serviços e atividades autônomas concentram oportunidades; experiência ajuda, mas preconceito pela idade ainda dificulta contratações

 

A participação das pessoas com 60 anos ou mais no mercado de trabalho está crescendo no Distrito Federal. Além da necessidade de complementar a aposentadoria, parte dessa população busca manter uma rotina ativa, aproveitar a experiência acumulada ou iniciar um pequeno negócio.

O DF possui aproximadamente 524 mil pessoas com 60 anos ou mais. A parcela desse grupo presente no mercado de trabalho passou de 19,1% para 20%, segundo levantamento divulgado em 2025 pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal.

Em três décadas, a presença dos idosos na força de trabalho local mais do que triplicou. Em 1993, eles correspondiam a 2% da população economicamente ativa do DF. Em 2024, a participação chegou a 6,2%.

Comércio e serviços puxam o crescimento

Entre 2022 e 2024, o nível de ocupação da população idosa cresceu 9% no Distrito Federal. O avanço foi impulsionado principalmente pelo comércio, que registrou alta de 23,1% na contratação ou permanência de trabalhadores mais velhos, e pelo setor de serviços, com crescimento de 8,1%.

Entre os idosos ocupados no DF, 47,6% são assalariados. Desse total, 22,8% trabalham no setor público e 24,8% no setor privado.

Outros 29,9% atuam como trabalhadores autônomos, enquanto 7,8% são empregadores e 8% trabalham em serviços domésticos.

Os dados mostram que quase três em cada dez trabalhadores idosos do DF geram renda por conta própria. É um grupo formado por profissionais que prestam serviços, recebem encomendas, atendem clientes ou mantêm pequenos negócios.

Experiência pode virar fonte de renda

Conhecimentos acumulados ao longo da vida podem ser aproveitados em uma nova ocupação. Costura, culinária, artesanato, jardinagem, manutenção, vendas, cuidados pessoais, aulas e serviços administrativos estão entre as possibilidades.

Uma costureira pode trabalhar com ajustes e encomendas. Quem possui experiência em cozinha pode produzir bolos, doces ou refeições. Professores aposentados podem dar aulas particulares, enquanto antigos servidores e profissionais administrativos podem atuar na organização de documentos, revisão de textos e orientação de pequenos negócios.

No Distrito Federal, a diversidade das regiões administrativas também cria mercados diferentes. Há demanda por serviços de alimentação, costura, manutenção e cuidados em cidades como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Gama e Planaltina. No Plano Piloto e em áreas próximas, podem surgir oportunidades em consultoria, atendimento domiciliar, organização, turismo e produção cultural.

A recomendação é começar por uma atividade já conhecida, atender poucos clientes e avaliar a procura antes de comprar equipamentos ou assumir dívidas.

Onde procurar emprego no DF

O Distrito Federal mantém 14 agências do trabalhador com atendimento presencial. Os postos recebem currículos, encaminham candidatos para processos seletivos e divulgam diariamente as oportunidades apresentadas pelas empresas.

As vagas podem ser consultadas no quadro de oportunidades da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda.

Não existe, porém, uma reserva geral de vagas para pessoas com mais de 60 anos. O candidato deve observar as exigências de cada oportunidade e procurar o atendimento caso tenha dúvidas sobre idade, escolaridade ou experiência.

As agências funcionam como intermediadoras gratuitas. Por isso, o trabalhador não deve pagar para cadastrar currículo ou participar de uma seleção.

Currículo não precisa contar a vida inteira

O profissional com mais de 60 anos não precisa colocar no currículo todos os empregos que teve. O documento deve priorizar as experiências mais recentes e aquelas relacionadas à vaga desejada.

Também é importante mostrar conhecimentos atuais, como uso do WhatsApp, envio de e-mails, atendimento por aplicativos e noções básicas de informática.

Em vez de informar somente o nome de um cargo, o candidato pode descrever brevemente suas atividades e resultados. Quem trabalhou como vendedor, por exemplo, pode destacar experiência com atendimento, organização de estoque, negociação e metas.

Data de nascimento, número de documentos, estado civil e fotografia não precisam ser incluídos, salvo quando houver solicitação legítima em uma etapa posterior.

Qualificação aumenta as possibilidades

A Secretaria de Trabalho e Renda do DF mantém programas e cursos de qualificação profissional. As oportunidades variam conforme os editais e podem incluir áreas como vendas, gastronomia, construção civil, produção têxtil, informática e empreendedorismo.

Mesmo quem já possui muita experiência pode se beneficiar de cursos curtos. Aprender a divulgar produtos nas redes sociais, receber pagamentos digitais, calcular custos e atender clientes pela internet ajuda a transformar uma habilidade antiga em renda atual.

A tecnologia ganhou importância especial para os trabalhadores autônomos. WhatsApp e Instagram podem servir como vitrines para divulgar costura, comida, artesanato, aulas e outros serviços.

É preciso ter cuidado, entretanto, com falsas vagas e promessas de dinheiro rápido. Empresas sérias não exigem depósito antecipado para liberar salário, uniforme, material de trabalho ou contratação.

Empreender exige planejamento

Para quem pretende trabalhar por conta própria, o DF oferece o programa Prospera, que trabalha com orientação e crédito para pequenos empreendedores urbanos e rurais, conforme as regras e etapas vigentes.

Antes de solicitar empréstimo, o interessado deve calcular quanto precisará vender para pagar despesas, parcelas e materiais. O crédito pode ajudar um negócio que já demonstrou ter clientes, mas também pode criar um problema financeiro quando é contratado sem planejamento.

O caminho mais seguro é começar em pequena escala, testar o produto ou serviço e reinvestir parte do que for recebido.

Etarismo ainda fecha portas

Apesar do crescimento da participação dos idosos, o preconceito pela idade continua presente. Algumas empresas presumem que trabalhadores mais velhos têm dificuldade com tecnologia, menor produtividade ou resistência a mudanças.

Essa visão ignora qualidades como experiência, responsabilidade, estabilidade, capacidade de resolver problemas e facilidade para lidar com clientes.

O aumento da longevidade exige que empresas e políticas públicas deixem de tratar profissionais maduros como exceção. Também é necessário criar vagas com jornadas, ambientes e atividades compatíveis com diferentes condições de saúde.

Trabalho deve respeitar a qualidade de vida

A principal razão apontada pelos idosos que estão fora do mercado de trabalho no DF é a aposentadoria. Entre os aproximadamente 418 mil inativos, 69,9% citaram esse motivo. Os afazeres domésticos aparecem em seguida, com 13,8%.

Trabalhar depois dos 60 deve ser uma possibilidade, e não uma obrigação imposta pela falta de renda. Antes de aceitar uma atividade, é importante avaliar jornada, deslocamento, esforço físico, alimentação, uso de medicamentos e tempo para descanso.

Para algumas pessoas, a melhor opção pode ser um emprego formal. Para outras, trabalhar dois ou três dias por semana, receber encomendas ou atender poucos clientes oferece mais equilíbrio.

O objetivo deve ser transformar experiência em autonomia, renda e propósito, sem abrir mão da saúde e do direito de aproveitar essa etapa da vida.

 

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