Número representa 4,5% dos 643 registros apresentados à Justiça Eleitoral; mais de um terço dos candidatos não informou orientação sexual
O Distrito Federal tem 29 candidaturas que se declararam gays, lésbicas ou bissexuais nas eleições de 2026. O número corresponde a aproximadamente 4,5% dos 643 registros apresentados à Justiça Eleitoral e chama atenção para a presença ainda reduzida da diversidade sexual na disputa política local.
Os dados foram informados pelos próprios candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre as candidaturas registradas no DF, 11 pessoas se declararam gays, dez bissexuais e oito lésbicas.
Outros 384 candidatos informaram ser heterossexuais. Ao todo, 413 das 643 candidaturas preencheram o campo relacionado à orientação sexual. As 230 restantes não forneceram essa informação.
Considerando apenas os candidatos que decidiram responder à pergunta, gays, lésbicas e bissexuais representam aproximadamente 7% do grupo. Em relação ao conjunto das 643 candidaturas, a proporção é de 4,5%.
Os dados podem sofrer pequenas alterações em razão de substituições, desistências, falecimentos ou decisões judiciais envolvendo os registros.
Informação depende de autodeclaração
O preenchimento da informação sobre orientação sexual é facultativo. Isso significa que a ausência de resposta não permite concluir que o candidato seja heterossexual nem que não pertença à população LGBT+.
Os números também não abrangem, necessariamente, todas as identidades existentes dentro da comunidade. Orientação sexual e identidade de gênero são informações diferentes.
Uma pessoa trans, por exemplo, pode se declarar heterossexual, homossexual, bissexual ou ter outra orientação sexual. Por isso, os dados sobre candidatos gays, lésbicas e bissexuais não devem ser usados isoladamente para calcular o número total de candidaturas LGBT+.
Nas eleições de 2026, o TSE também passou a reunir informações sobre identidade de gênero, permitindo identificar candidaturas de pessoas cisgênero, transgênero e não binárias.
Representatividade entra no debate eleitoral
A divulgação dos números ocorre num momento em que partidos e candidatos intensificam a campanha eleitoral no Distrito Federal. Além da quantidade de candidaturas LGBT+, o debate envolve as propostas apresentadas para o combate à discriminação e à violência, o acesso à saúde e a criação de políticas públicas voltadas à diversidade.
Ter candidatos que se identificam como gays, lésbicas ou bissexuais não significa, automaticamente, que todos defendam as mesmas posições políticas ou propostas. A população LGBT+ é formada por pessoas com diferentes visões ideológicas, partidárias, religiosas e econômicas.
A presença dessas candidaturas, entretanto, pode ampliar a participação de grupos historicamente afastados dos espaços de decisão e levar suas experiências para a formulação de leis e políticas públicas.
DF possui população LGBT+ expressiva
Um estudo do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), baseado na Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios de 2021, estimou que 3,8% da população adulta do DF se declarava LGBT+.
A pesquisa considerou tanto orientação sexual quanto identidade de gênero. O levantamento identificou aproximadamente 23,3 mil pessoas trans no Distrito Federal, incluindo mulheres trans, homens trans e pessoas não binárias.
Os dados das candidaturas estão disponíveis no sistema DivulgaCandContas, mantido pelo TSE. As informações sobre orientação sexual foram divulgadas inicialmente pelo Correio Braziliense.


