Ideb de 2025 revela queda na nota da capital federal, enquanto escolas públicas de Goiás se destacam entre as melhores do Brasil
O ensino médio do Distrito Federal acendeu um sinal de alerta ao registrar um dos piores desempenhos do país no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. Segundo reportagem do portal Metrópoles, baseada nos dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), apenas cinco unidades da Federação apresentaram resultado inferior ao da capital federal.
A nota do DF caiu de 4,2, em 2023, para 4,1, em 2025, ficando abaixo da média nacional, de 4,5, e distante da meta de 5,2 estabelecida pelo MEC. Brasília foi a única unidade da Federação a apresentar queda no indicador nesta edição.
O resultado contrasta com o desempenho de Goiás, que colocou dez escolas entre as 20 instituições públicas de ensino médio mais bem avaliadas do Brasil. Cinco delas estão localizadas em Formosa, município do Entorno do Distrito Federal. A reportagem mostra os desafios enfrentados pela rede pública brasiliense e aponta medidas consideradas urgentes para recuperar a qualidade do ensino. Leia a matéria completa a seguir.
Fonte: Metrópoles, com informações do Ideb 2025, divulgado pelo Ministério da Educação.
Das 27 unidades da Federação, apenas cinco são piores que o DF. Enquanto isso, Goiás aparece mais de uma vez na lista dos 20 melhores

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Lançado na quarta-feira (5/8), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2025 (Ideb), levantamento do Ministério da Educação (MEC), classificou o ensino médio do Distrito Federal como um dos piores de todo Brasil. A capital federal está à frente apenas de cinco estados: Amazonas (AM), Amapá (AP), Bahia (BA), Maranhão (MA) e Roraima (RR).
Em contrapartida, Goiás, estado vizinho de Brasília, apareceu 10 vezes na lista das 20 escolas que obtiveram a maior nota no Ideb, ou seja, tiveram o melhor ensino. Além disso, cinco das 10 estão localizadas em Formosa (GO), entorno do DF. Veja lista completa abaixo:
O Colégio Estadual Doutor José Balduíno de Souza Décio, também localizado no entorno da capital, ocupa a posição de terceiro melhor ensino do Brasil.
O Ideb avalia, em uma escala de 0 a 10, o desempenho dos alunos e o percentual de aprovação no ano escolar. A pesquisa é uma das principais ferramentas de monitoramento da qualidade da educação.
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DF é a única unidade da federação que teve queda na nota do Ideb
Em 2023, edição anterior do levantamento, o índice do DF tinha sido de 4,2. Já na edição atual, de 2025, a nota do DF caiu para 4,1. De todas as 27 unidades da Federação, Brasília foi a única que registrou esta queda.
Além disso, a média do país foi de 4,5, ou seja, a capital também está abaixo da média na qualidade do ensino. A meta do Ministério da Educação é que os estados atinjam a nota 5,2, desse modo, DF fica ainda mais longe do objetivo do órgão.
Veja abaixo a nota de todos estados:

Especialista em educação e coordenador do programa de stricto sensu em educação da Universidade Católica de Brasília (UCB), Renato Brito afirmou que o médio é a etapa que exige maior atenção, por reunir “maior complexidade curricular e um público em transição para vida adulta”.
“No DF, os principais desafios estão concentrados em três frentes: ampliar o acompanhamento pedagógico individualizado, fortalecer as habilidades essenciais em português e matemática — pilares avaliados pelo Saeb — e consolidar um monitoramento sistemático por escola, que permita intervenções cada vez mais precisas ao longo do ano letivo”.
Dentre as principais estratégias que precisam ser adotadas com urgência para que o DF não continue a cair no ranking do Ideb, Brito destacou o acompanhamento pedagógico contínuo, formação continuada de professores — com metodologias que dialoguem com o perfil do estudante adolescente — atualização do currículo e continuidade das políticas públicas.
“Como prioridade inicial, eu apontaria o monitoramento pedagógico contínuo por escola. É esse acompanhamento que permite direcionar, com mais precisão os investimentos em formação docente e em atualização curricular”.
O especialista ainda afirmou que o alto índice em outros estados, como Goiás, é resultado de quando “a educação é tratada como política de Estado ao longo de diferentes gestões”.
Em nota, a Secretária de Educação do Distrito Federal (SEEDF) reconheceu que precisam ser adotadas estratégias para melhorar a qualidade da rede.
“Nos Anos Finais, entretanto, os dados exigem a intensificação das ações, e o Ensino Médio constitui o principal ponto de atenção da rede. A estratégia para o próximo ciclo será ampliar, para os Anos Finais e para o Ensino Médio, a intensidade do acompanhamento pedagógico já adotado na alfabetização, com diagnóstico frequente, recomposição das habilidades essenciais, monitoramento por escola e apoio direcionado às Coordenações Regionais de Ensino (CREs)”, diz trecho da nota.

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Ensino médio é decisivo para vestibular
No Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a principal porta de entrada no ensino superior. A prova, que reúne conteúdo dos três últimos anos do colégio, possibilita que estudantes de todo país possam usar a nota tanto para ingressar nas universidades públicas, quanto concorrer à bolsas em instituições privadas.
Desse modo, o resultado do Enem é essencial para a chegada dos estudantes na graduação. Em paralelo a isso, esse é um dos principais motivos que explica porque a qualidade do ensino no médio é fundamental.
Renato Brito explicou que a etapa precisa ser vista como a mais decisiva de toda trajetória escolar, justamente por consolidar grande parte das habilidades exigidas nas provas de vestibular.
“É nesse período que se consolidam leitura crítica, interpretação de texto e raciocínio lógico-matemático — habilidades cobradas diretamente em vestibulares, no Enem e em processos seletivos técnicos. Um ensino médio robusto amplia a capacidade do estudante de ingressar e se adaptar com segurança ao ritmo do ensino superior. Indicadores como o Ideb funcionam justamente como ferramenta de orientação: ajudam a mapear onde investir esforços para que os jovens cheguem mais bem preparados às próximas etapas”.


