Hospital de Samambaia registrou dois óbitos de mães em quatro dias; em ambos, família diz que pedido de cesárea foi ignorado. Governo diz que sistemas não estão plenamente integrados, mas médicos têm acesso a ambos.
Por Túlio Amâncio, Laísa Lopes, Clara Avendaño, TV Globo — Brasília
Uma enfermeira afirmou que médicos do Hospital Regional de Samambaia não acessam prontuários de pré-natal de gestantes por falta de comunicação entre sistemas digitais.
A denúncia ocorre após duas mães morrerem no hospital por complicações no parto. As famílias relatam que elas pediram cesárea, mas foram forçadas ao parto natural.
Em nota oficial, a Secretaria de Saúde do DF confirmou que utiliza sistemas distintos e que eles não são plenamente integrados atualmente.
O governo declarou que profissionais autorizados acessam os sistemas e que as gestantes possuem uma caderneta física com o histórico do pré-natal.

Mortes em hospital do DF: médicos não têm acesso a dados de pré-natal, diz enfermeira
O motivo, segundo a profissional, é a falta de comunicação entre os sistemas digitais utilizados. A enfermeira falou sob condição de anonimato, por temer represálias (ouça no vídeo acima).
➡️ Nos últimos dias, duas mães morreram no hospital de Samambaia por complicações do parto. Nos dois casos, as famílias afirmam que as gestantes pediram repetidas vezes por uma cesárea, mas foram forçadas a insistir no parto natural – e a cirurgia só foi iniciada quando o quadro se agravou (veja detalhes abaixo).
“O que dificulta para o profissional médico, para os enfermeiros é a falta de integração dos formulários. Quando chega uma gestante no hospital, o médico do plantão não sabe onde ela fez o pré-natal, não tem acesso. Mesmo que a pessoa tenha feito na rede pública de saúde, no postinho perto da sua casa, não tem acesso porque os sistemas são diferentes”, disse a enfermeira.
“O sistema que é usado pelo médico da família e pela enfermeira na Unidade Básica de Saúde é o e-SUS. E o que usam no hospital é o TrakCare. E eles não se conversam. Quando a paciente chega no hospital, pode ser que tenha algum tipo de complicação no pré-natal que o médico não tem acesso. E muitas vezes a pessoa, a gestante ou a acompanhante, não sabem explicar isso para o médico”, detalhou.
O governo diz, no entanto, que os profissionais de saúde autorizados têm acesso aos dois sistemas e que as grávidas contam com a Caderneta da Gestante, que reúne as informações do pré-natal.

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Mortes no pós-parto
As duas mortes de mulheres nas horas seguintes ao parto foram registradas num espaço de quatro dias. Veja detalhes:
- Maria Graciana Andrade Alves, 36 anos
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Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos e grávida de 41 semanas, morreu durante o parto no Hospital Regional de Samambaia — Foto: reprodução
Maria Graciana estava grávida de 41 semanas e morreu por complicações do parto, na sexta-feira (10). Segundo a família, ela informou que não tinha condições de passar pelo parto natural, mas a equipe manteve a tentativa por horas.
A cesariana só foi adotada a bebê apresentar sinais de sofrimento fetal. A criança sobreviveu e foi levada à Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Famílias apontam negligência em duas mortes de pacientes da rede pública
A mulher sofreu hemorragia grave, teve o útero retirado, além de paradas cardiorrespiratórias. Ela morreu na UTI do hospital. A família também denuncia que não recebeu atualizações do estado de saúde de Maria, e só foram informados da morte horas depois.
- Maria Aparecida Galdino dos Santos, 25 anos
Maria Aparecida morreu horas após o parto no Hospital Regional de Samambaia, na segunda (13). Ela deu entrada na véspera, já com fortes dores.
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Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu apos dar à luz em Samambaia, no DF — Foto: TV Globo/Reprodução
A mulher pediu à equipe médica a realização de uma cesariana mas, segundo a família, a equipe médica induziu um parto natural.
A criança, Helena, nasceu às 12h de segunda-feira (13) e foi colocada em observação por ter ingerido líquido durante o nascimento.

Secretaria de Saúde investiga duas mortes de gestantes no Hospital de Samambaia em três dias
O que diz o governo?
Leia abaixo a íntegra do posicionamento enviado pela Secretaria de Saúde do DF:
A rede pública utiliza sistemas de informação distintos para atender às necessidades assistenciais da Atenção Primária à Saúde e da Atenção Hospitalar, implantados em momentos diferentes e voltados às necessidades de cada nível assistencial.
Embora ainda não exista integração plena entre todos os sistemas, os profissionais de saúde autorizados que atuam nas unidades hospitalares têm acesso às informações clínicas registradas no prontuário eletrônico da APS, incluindo dados do acompanhamento pré-natal, no caso de gestantes acompanhadas na Atenção Primária.
Além disso, as gestantes contam com a Caderneta da Gestante, que reúne todo o histórico de consultas, exames e evolução da gravidez, servindo de elo fundamental entre a UBS e a maternidade.
O objetivo é ampliar o compartilhamento seguro das informações em saúde, garantindo aos profissionais acesso mais ágil e qualificado aos dados clínicos necessários para fortalecer a continuidade do cuidado e a segurança da assistência prestada aos usuários do SUS.













