Cantora galesa marcou a história da música com sucessos que atravessaram gerações e transformaram sua voz rouca em uma das mais reconhecidas do pop internacional
A cantora galesa Bonnie Tyler morreu aos 75 anos, em Portugal, onde estava internada desde maio para tratar complicações decorrentes de uma cirurgia intestinal de emergência. A informação foi confirmada por sua equipe e por familiares, que lamentaram a perda da artista, considerada uma das maiores intérpretes do pop-rock mundial.
Bonnie estava hospitalizada na cidade de Faro e chegou a permanecer em coma induzido durante parte do tratamento. Nas últimas semanas, seu estado de saúde se agravou, culminando na morte da cantora.
Nascida Gaynor Hopkins, em 8 de junho de 1951, na pequena cidade de Skewen, no País de Gales, ela construiu uma carreira de mais de cinco décadas e conquistou reconhecimento internacional graças ao timbre rouco e marcante que se transformou em sua assinatura artística. Curiosamente, essa característica surgiu após uma cirurgia nas cordas vocais realizada no fim da década de 1970.
Filha de um mineiro de carvão e de uma dona de casa, Bonnie cresceu em um ambiente simples e religioso. Ainda criança, participou de corais em uma igreja anglicana, onde deu os primeiros passos na música. Ao mesmo tempo, desenvolveu admiração por artistas como Elvis Presley, Frank Sinatra e os Beatles, referências que influenciaram sua formação musical.
Antes da fama, trabalhou em um supermercado depois de deixar a escola, aos 16 anos. A oportunidade de seguir carreira surgiu em 1969, quando participou de um concurso de talentos por incentivo de uma tia. A experiência abriu caminho para apresentações como cantora de apoio e, posteriormente, para a criação de sua própria banda.
No início da trajetória artística, chegou a utilizar o nome Sherene Davis. Pouco depois de assinar contrato com a gravadora RCA Records, adotou definitivamente o nome Bonnie Tyler, escolha que ajudaria a construir uma identidade forte no mercado internacional.
Seu primeiro compacto, “My! My! Honeycomb”, passou praticamente despercebido pelo público. O cenário começou a mudar em 1976, quando lançou “Lost in France”, música que entrou para o Top 10 britânico e levou a cantora ao tradicional programa “Top of the Pops”, vitrine da música no Reino Unido.
O sucesso mundial veio logo em seguida. Com “It’s a Heartache”, Bonnie alcançou as primeiras posições das paradas britânicas e americanas, chegando ao terceiro lugar da Billboard Hot 100. A música consolidou seu nome internacionalmente e abriu as portas para turnês nos Estados Unidos.
O momento mais marcante da carreira ocorreu em 1983, com o lançamento de “Total Eclipse of the Heart”. Escrita e produzida por Jim Steinman, a canção transformou-se em um dos maiores sucessos da década de 1980, liderando rankings em diversos países e vendendo milhões de cópias.
A força da música impulsionou o álbum “Faster Than the Speed of Night”, que alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas e teve excelente desempenho comercial em vários mercados. Até hoje, “Total Eclipse of the Heart” permanece como a obra mais emblemática de sua carreira.
No ano seguinte, Bonnie voltou às paradas com outro grande sucesso: “Holding Out for a Hero”, incluída na trilha sonora do filme “Footloose”. A música ganhou status de clássico e continuou sendo utilizada em filmes, séries, comerciais e eventos esportivos ao longo das décadas.
Durante os anos 1980, trabalhou ao lado de grandes nomes da indústria musical, entre eles George Martin, Elton John e Mike Oldfield. Também estreitou laços com o Brasil ao gravar, em 1987, o dueto “Sem Limites para Sonhar”, ao lado do cantor Fábio Jr., parceria que conquistou enorme popularidade entre o público brasileiro.
Ao longo da carreira, Bonnie Tyler recebeu três indicações ao Grammy e foi homenageada em 2022 com o título de Membro da Ordem do Império Britânico (MBE), reconhecimento concedido pelo governo do Reino Unido por sua contribuição à música.
Mesmo após o auge comercial dos anos 1980, ela permaneceu em atividade, lançando novos trabalhos e realizando turnês, principalmente pela Europa. Em 2022, visitou o Brasil pela primeira vez para uma série de apresentações em Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Fora dos palcos, também participou de diversas ações beneficentes voltadas ao apoio de crianças com paralisia cerebral, campanhas contra a dependência química e iniciativas de arrecadação de recursos para vítimas de tragédias. Durante a pandemia de Covid-19, integrou um projeto musical em solidariedade à cidade italiana de Bergamo, uma das mais afetadas pela doença.
A morte de Bonnie Tyler encerra uma trajetória marcada por sucessos que atravessaram gerações. Sua voz inconfundível e interpretações intensas fizeram da cantora uma das artistas mais emblemáticas do pop internacional, deixando um legado que continua vivo em clássicos como “It’s a Heartache”, “Holding Out for a Hero” e, sobretudo, “Total Eclipse of the Heart”, canções que permanecem entre as mais lembradas da música mundial.
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