Acilino Ribeiro: da resistência à ditadura ao reconhecimento oficial da anistia política

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Ex-guerrilheiro, ex-vereador e dirigente nacional do PSB terá trajetória retratada em documentário, filme e minissérie após decisão da Comissão de Anistia

A trajetória política de Acilino Ribeiro, marcada pela militância contra a ditadura militar, pela clandestinidade e pela atuação em movimentos populares no Brasil e no exterior, será tema de uma série de produções audiovisuais após o reconhecimento oficial de sua condição de anistiado político pelo governo federal. A informação consta em documento divulgado pela própria equipe do dirigente socialista.

A decisão da Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, reconheceu Acilino como perseguido político durante o regime militar. O processo encerra uma longa disputa relacionada às acusações e processos que enfrentou entre o final da década de 1960 e os anos de abertura política no país.

Atualmente radicado em Brasília, Acilino acumula mais de cinco décadas de atuação política. Sua história inclui passagens por organizações estudantis, movimentos de esquerda, experiências de clandestinidade e participação em articulações políticas nacionais durante o período de resistência ao regime militar.

Documentário, filme e minissérie

Segundo o projeto apresentado, a primeira etapa prevê a produção de um documentário biográfico sobre a vida do ex-militante, desde a juventude até os dias atuais. Em seguida, será produzido um filme de ficção focado especificamente no período da ditadura, abordando episódios relacionados à repressão política, prisões, clandestinidade, exílio e redemocratização.

A terceira fase contempla uma minissérie com 15 episódios, que deverá retratar sua atuação internacional durante os anos de militância política, incluindo passagens por diversos países da Europa, África, Oriente Médio e América Latina.

Entre os locais citados no projeto estão Líbia, Argélia, antiga União Soviética, Cuba, Nicarágua, Angola, Moçambique, China e outros países onde, segundo o relato apresentado, Acilino manteve atividades políticas e contatos com movimentos revolucionários internacionais.

Militância e perseguição

De acordo com o histórico reunido para o documentário, Acilino ingressou ainda adolescente na militância política e passou a ser alvo de investigações e processos durante o regime militar. O material afirma que ele viveu períodos de clandestinidade em Brasília, Goiás e no Piauí, além de ter enfrentado restrições para estudar e trabalhar em razão de sua atuação política.

O documento também relata sua passagem por organizações de esquerda que atuavam na oposição ao governo militar e menciona episódios de prisão, monitoramento e processos com base na legislação de segurança nacional vigente à época.

Vida pública e atuação política

Após o período da anistia e da redemocratização, Acilino construiu carreira política no Piauí. Foi vereador em Teresina, ocupou cargos em administrações municipais e estaduais e atuou em áreas ligadas à reforma agrária, movimentos sociais e desenvolvimento comunitário.

O material também registra sua participação em articulações políticas que envolveram a fundação do Partido dos Trabalhadores no Piauí e, posteriormente, sua atuação em outras legendas da esquerda brasileira.

Hoje, aos 72 anos, Acilino reside em Brasília, onde exerce funções ligadas à formação política e aos movimentos populares. Atualmente, integra a direção nacional do PSB e coordena iniciativas voltadas à mobilização social dentro da legenda.

Memória e debate político

Ao comentar o reconhecimento da anistia, Acilino afirmou que a homenagem deve ser compartilhada com companheiros que participaram da resistência ao regime militar e com familiares que o apoiaram durante os anos de perseguição política.

Ele também declarou ser contrário à concessão de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, argumentando que, em sua avaliação, há diferenças entre a luta contra uma ditadura e ações voltadas contra instituições democráticas.

A expectativa dos organizadores é que o documentário seja lançado no próximo ano. O projeto deverá reunir depoimentos, documentos históricos e fotografias que registram diferentes momentos da trajetória política de Acilino Ribeiro, desde a juventude até sua atuação atual nos movimentos sociais brasileiros.

 

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