Por Kleber Karpov
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Governo do Distrito Federal (GDF) assinaram um acordo que leva a campanha ‘Cartão Vermelho para o Racismo’ de um plano local para o cenário nacional. A iniciativa, nascida no coração da capital, se expande por todo o país com o propósito de enfrentar a discriminação racial no esporte mais popular do Brasil. O acordo, firmado nesta quinta-feira (28/Ago), alinha a agenda do GDF com a luta da CBF pela igualdade no futebol.
“O Distrito Federal mostra, mais uma vez, que é possível unir esporte e cidadania. Essa campanha nasceu aqui e agora vai ganhar o Brasil inteiro devido à sua importância. O futebol é paixão nacional e não pode conviver com qualquer forma de discriminação”, destacou o governador Ibaneis Rocha.
A parceria formaliza um comitê conjunto para acompanhar os resultados e ajustar a estratégia, garantindo que a mensagem de tolerância não se perca no trajeto entre Brasília e os demais estados. “O futebol é de todo mundo, não aceita mais esse tipo de atitude. Temos que ser duros contra o racismo e qualquer forma de discriminação”, afirmou Samir Xaud, presidente da CBF.
Parceria
A campanha faz parte da Política Distrital de Prevenção e Combate ao Racismo nos Estádios, formalizada pela Lei Vinícius Júnior (Lei nº 22.084/2024), do Governo do Distrito Federal (GDF) , agora ganha fôlego para se tornar uma política pública em nível nacional.
No contexto da parceria, a Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF) fica responsável por designar servidores para a entrega dos cartões vermelhos simbólicos nos estádios, além de elaborar a identidade visual e os materiais gráficos. A CBF, por sua vez, deve coordenar o ato simbólico com clubes, árbitros e federações estaduais, assegurando a presença da Sejus-DF nos portões e áreas internas dos estádios.
Inovação e exemplo
A secretária de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), Marcela Passamani lembra que a experiência despertou interesse de outros estados e foi testada em jogos nacionais, como no clássico Remo x Paysandu, no Pará. Com a parceria, a campanha passa a ter alcance nacional e torna-se referência na união entre esporte e conscientização social.
“Nós iniciamos o protocolo entrando nos estádios, pedindo um minuto de silêncio, levantando o cartão vermelho, mas agora a campanha ganha uma dimensão maior. Esse acordo com a CBF firma o compromisso do futebol brasileiro em protagonizar espaço para que a gente fale da questão da igualdade racial. A cada comunicação visual da CBF nos estádios, seja no momento de entrevista do jogador, seja nos letreiros, todos trarão a mesma mensagem: cartão vermelho para o racismo”, afirmou Marcela Passamani.
Do DF para o Brasil
A ampliação da campanha é um desdobramento da Lei Vinícius Júnior, que instituiu medidas para a promoção da igualdade racial e o combate a práticas discriminatórias no esporte. Com a parceria, a iniciativa caminha para um patamar de maior alcance, usando a popularidade do futebol para educar e mudar o comportamento de torcidas em todo o território nacional.