Aos 60+, não somos passado — somos presença

Envelhecer sempre foi tratado como sinônimo de desaparecer. Como se, depois de certa idade, o mundo pudesse nos jogar para a sombra, como quem dobra uma cadeira que já não pretende mais usar. Mas nós seguimos aqui, vivos, pulsando, pensando, desejando. Somos presença — e presença forte.

Chegar aos 60+ não é o fim de nada: é o começo de uma consciência mais profunda. É quando finalmente enxergamos o que importa e o que nunca deveria ter importado. É quando descobrimos que a luta por respeito não acaba, mas muda de forma. Fica mais serena, porém mais firme. Mais sábia, porém mais incisiva.

A sociedade ainda tenta nos empurrar para a margem. Mas nós sabemos: margem não é lugar de quem construiu ponte, estrada, casa, país, família, futuro.
Nós fizemos o caminho — agora exigimos passagem.

Envelhecer é, sim, um ato político.
É existir quando esperavam que fôssemos diminuindo, encolhendo, calando.
Mas não vamos calar.

Somos 60+, com orgulho, com história, com desejo, com raiva quando precisa, com doçura quando cabe. Somos a geração que viu o mundo mudar — e continua mudando o mundo.

Não somos passado. Somos presença. E presença que ecoa.