Disputa interna desafia unidade da esquerda nas eleições do DF

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PT e PSB divergem sobre candidatura ao Buriti enquanto lideranças pedem maturidade política e articulação local

 

A poucos meses do avanço do calendário eleitoral no Distrito Federal, partidos da centro-esquerda enfrentam um velho dilema: como construir uma candidatura única capaz de enfrentar adversários consolidados. O debate ganhou força após declarações do vice-presidente da Câmara Legislativa, Ricardo Valle, que defendeu publicamente a união entre as siglas do campo progressista.

Valle, filiado ao PT, afirma que o momento exige responsabilidade política e capacidade de diálogo entre os partidos. Segundo ele, insistir em múltiplas candidaturas pode enfraquecer o bloco e reduzir as chances de levar a disputa ao segundo turno.

Hoje, a federação formada por PT, PV e PCdoB aposta na volta de Leandro Grass como candidato ao Palácio do Buriti. Em 2022, Grass terminou em segundo lugar, atrás de Ibaneis Rocha, mas não conseguiu levar a disputa para o segundo turno.

Por outro lado, o PSB trabalha para viabilizar o nome de Ricardo Cappelli. Cappelli ganhou projeção nacional ao assumir a intervenção na segurança pública do DF após os atos de 8 de janeiro de 2023, o que fortaleceu sua imagem política.

Diante desse cenário, Ricardo Valle defende que a escolha do candidato deve ocorrer com base na capacidade de agregar apoios e ampliar alianças. Para ele, tanto Grass quanto Cappelli possuem qualidades, mas a decisão precisa ser rápida para evitar desgaste político.

Nos bastidores, cresce a comparação com o que ocorreu no Rio Grande do Sul, onde a direção nacional do PT interveio para consolidar uma candidatura única em torno de Juliana Brizola, levando à retirada de Edegar Pretto. No DF, porém, Valle descarta a necessidade de intervenção externa e aposta na construção local de consenso.

Além de PT e PSB, outros partidos como PSOL e PDT acompanham as negociações e ainda não lançaram candidaturas próprias. A expectativa é que essas legendas possam desempenhar papel decisivo na definição de uma frente unificada.

Cristovam Buarque crédito Leonardo Prado / Câmara dos Deputados

Dentro do PSB, o ex-senador Cristovam Buarque demonstra preocupação com a fragmentação da esquerda. Embora veja o partido com nomes competitivos para a Câmara dos Deputados, ele avalia que a divisão pode comprometer o desempenho no Executivo local.

Entre os nomes cotados para fortalecer o campo progressista está o de José Antonio Reguffe, que ainda não definiu se voltará à disputa eleitoral. Aliados avaliam que sua eventual participação poderia ampliar o diálogo com setores do centro e aumentar a competitividade da chapa.

Com diferentes projetos em jogo e prazos cada vez mais curtos, a esquerda no Distrito Federal vive um momento decisivo. A capacidade de articulação e a disposição para concessões políticas devem definir se haverá unidade ou fragmentação na disputa pelo governo local.

 

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