Governador afirma que patrimônio imobiliário do DF garante capacidade financeira do banco em meio a investigações e ajustes fiscais
247 – O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que o Banco de Brasília (BRB) mantém solidez financeira mesmo após a liquidação de instituições ligadas ao conglomerado do Banco Master. A declaração foi feita nesta quinta-feira (22), em meio a um cenário de incertezas envolvendo auditorias, investigações e medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo distrital.
Em entrevista ao Valor Econômico, Ibaneis ressaltou que o governo do Distrito Federal, controlador do BRB, dispõe de amplo patrimônio imobiliário que poderia ser mobilizado caso haja necessidade de reforço financeiro. “O banco segue sólido e capaz de responder a todas as demandas. Temos solidez e patrimônio”, afirmou. Segundo o governador, apenas em imóveis o DF reúne mais de R$ 100 bilhões. “Sem incluir a Terracap [Companhia Imobiliária de Brasília, pertencente ao governo distrital], que [também] tem mais de R$ 100 bilhões.”
As declarações ocorrem no contexto de investigações conduzidas pela Polícia Federal, que apuram a venda de R$ 12,2 bilhões em supostos créditos falsos do Banco Master para o BRB. Além disso, o banco do Distrito Federal possuía R$ 1,75 bilhão em ativos do Will Bank, instituição pertencente ao mesmo conglomerado e que foi liquidada pelo Banco Central na quarta-feira (21).
De acordo com informações já divulgadas, esse montante de R$ 1,75 bilhão integrava a carteira investigada de R$ 12,2 bilhões. No entanto, como o BRB já havia tomado posse desses ativos, a liquidação do Will Bank não produziu efeitos práticos adicionais para a instituição distrital.
Ibaneis minimizou os impactos das liquidações sobre o banco público. “Nada disso vai abalar” o BRB, disse, ao comentar os desdobramentos envolvendo o conglomerado do Master. O governador, porém, evitou detalhar indicadores técnicos que sustentariam a avaliação de solidez. “Não conheço nada dessas operações bancárias”, afirmou. “Sou advogado e quero morrer advogado. Se me apresentam um problema, tento ajudar na decisão.”
O momento de questionamentos sobre o BRB coincide com a adoção de medidas de contenção de gastos pelo governo do Distrito Federal. No dia 5 de janeiro, foi publicado decreto que limitou as despesas mensais a um doze avos do Orçamento. Já na terça-feira (20), outro decreto passou a priorizar empenhos relacionados a obrigações constitucionais e legais, incluindo despesas obrigatórias continuadas, além de gastos necessários ao funcionamento regular dos serviços públicos.
No início do mês, a Associação dos Auditores Fiscais da Receita do Distrito Federal (Aafit) divulgou nota contestando explicações que atribuem a situação das contas públicas do DF à frustração de receitas nos setores de serviços e imobiliário. Segundo a entidade, a receita tributária do Distrito Federal cresceu 1,6% em termos reais no acumulado do ano passado até novembro, alcançando R$ 24,2 bilhões, na comparação com o mesmo período de 2024.













