Durante cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, presidente brasileiro criticou ações dos Estados Unidos, defendeu moderação e afirmou que presença militar externa cria “precedente perigoso” na América do Sul.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado que uma intervenção armada na Venezuela representaria uma “catástrofe humanitária” para a América do Sul. A declaração ocorre em meio à escalada das tensões internacionais após as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro.
Na última terça-feira, o presidente norte-americano Donald Trump ordenou o bloqueio de petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, como parte da estratégia de Washington para pressionar Caracas. A iniciativa atinge diretamente a principal fonte de receita do país vizinho e amplia o clima de instabilidade na região.
Lula destacou que a adoção de sanções e ações de força não contribui para a solução dos problemas venezuelanos. Para ele, qualquer investida militar agravaria a crise social, afetando diretamente a população e ampliando o risco de conflitos regionais.
O presidente brasileiro lembrou que, ao lado da presidente do México, Claudia Sheinbaum, já havia pedido moderação e diálogo nos últimos dias. Ambos defendem que a saída para a crise deve ser construída por meio de negociação política e respeito à soberania.
Durante a cúpula do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu, Lula elevou o tom ao classificar a movimentação militar externa como um “precedente perigoso para o mundo”. Ele afirmou que a América do Sul não pode voltar a conviver com ameaças desse tipo, especialmente após episódios históricos de conflitos.
O presidente citou a Guerra das Malvinas, ocorrida há mais de quatro décadas, como exemplo de como disputas com intervenção de potências extrarregionais deixam marcas profundas. Segundo ele, o continente volta a ser “assombrado” pela presença armada de forças externas.
Ao final do encontro, os líderes latino-americanos divulgaram uma declaração conjunta reforçando o compromisso com a defesa da democracia e dos direitos humanos na Venezuela. O documento destaca que qualquer solução deve ocorrer por vias pacíficas e institucionais.
A posição foi assinada pelos presidentes da Argentina, Paraguai e Panamá, além de representantes de Bolívia, Equador e Peru. O movimento reforça o alinhamento regional em favor do diálogo e da diplomacia, consolidando um posicionamento contrário a medidas militares na região.













