Programas sociais fortalecidos e mercado de trabalho aquecido impulsionam queda inédita dos índices de vulnerabilidade no país
O Brasil alcançou, em 2024, o menor nível de pobreza e extrema pobreza da série histórica, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (3). As informações integram a Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) sobre Padrão de Vida e Distribuição de Rendimentos.
Com base nos parâmetros do Banco Mundial, a parcela da população vivendo na pobreza caiu de 27,3% para 23,1%, retirando 8,6 milhões de brasileiros dessa condição em apenas um ano. A extrema pobreza também apresentou recuo significativo, passando de 4,4% para 3,5%, o que representa 1,9 milhão de pessoas deixando o nível mais grave de vulnerabilidade.
Esses números consolidam uma trajetória de queda contínua desde 2021, quando, em meio ao auge da pandemia, a situação era dramática: 18 milhões de brasileiros viviam na extrema pobreza (9% da população) e 76 milhões estavam na pobreza (36,8%).
Impacto dos programas sociais e da retomada econômica
Segundo o IBGE, a redução dos índices está diretamente ligada ao fortalecimento dos programas sociais. Sem benefícios como o Bolsa Família, a extrema pobreza teria saltado de 3,5% para 10%. A taxa de pobreza também seria bem maior: 28,7%.
O instituto destaca que a manutenção do valor do Bolsa Família acima do nível pré-pandemia foi decisiva. Além disso, o maior dinamismo do mercado de trabalho contribuiu especialmente para a redução da pobreza, já que a renda do trabalho tem maior peso nesse grupo.
Desigualdade racial e de gênero persiste
Apesar da melhora geral, os dados mostram que a pobreza continua atingindo de forma desigual mulheres, negros e pardos.
As mulheres registraram maior proporção de pobreza (24%) em comparação aos homens (22,2%).
Entre pessoas pretas e pardas, 71,3% de todos os pobres do país estão nesses grupos.
As taxas de extrema pobreza chegaram a 4,5% entre mulheres pretas ou pardas, enquanto entre homens brancos o índice foi de 2,2%.
Perfil dos trabalhadores na pobreza
O estudo também revela que apenas 11,9% dos extremamente pobres estavam ocupados — cerca de 12 milhões de pessoas. Entre os desempregados, a taxa de extrema pobreza chegou a 13,7%.
A pobreza é mais intensa entre trabalhadores da agropecuária (29,3%) e serviços domésticos (22,9%). Em contraste, trabalhadores da administração pública, saúde e serviços sociais apresentam menor incidência (4,6%).
Os resultados reforçam que, embora o país tenha avançado significativamente na redução da vulnerabilidade, os desafios ligados à desigualdade estrutural permanecem.













