- Author,Adrian Polglase
- Role,BBC Panorama
Oficiais da Polícia Metropolitana de Londres (Met, na sigla em inglês) foram filmados fazendo comentários racistas, minimizando denúncias de estupro e defendendo o uso excessivo da força, segundo uma investigação do programa Panorama, da BBC.
As imagens foram registradas por Rory Bibb, repórter do programa, que trabalhou disfarçado durante sete meses, até janeiro de 2025, como policial civil designado na delegacia de polícia de Charing Cross, no centro de Londres.
O material mostra policiais sugerindo que imigrantes deveriam ser baleados e revelando opiniões preconceituosas sobre muçulmanos e colegas mulheres.
As gravações expõem práticas que contrariam a promessa da corporação de combater o que chama de “comportamentos tóxicos”. O compromisso foi assumido após o assassinato de Sarah Everard, 31, morta em 2021 por um policial.
As evidências indicam que, longe de terem sido eliminadas da Polícia Metropolitana, as atitudes racistas e misóginas apenas foram empurradas para a clandestinidade.
Um policial disse que, na presença de colegas novos, por exemplo, passa-se a usar uma “máscara” até descobrir quem são. “Quando alguém novo chega, pronto, máscara ligada. Você precisa descobrir quem é”, afirmou.
Após receber da BBC uma lista detalhada de acusações, a Polícia Metropolitana suspendeu oito policiais e um funcionário, além de afastar dois policiais das atividades de rua.
O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Mark Rowley, classificou o comportamento revelado pelo Panorama como “vergonhoso, totalmente inaceitável e contrário aos valores e padrões” da corporação.
Aviso: esta reportagem contém linguagem repetidamente ofensiva e discriminatória.
Entre os policiais filmados pelo repórter disfarçado estavam:
Entre os policiais filmados pelo repórter disfarçado estavam:
- O sargento Joe McIlvenny, policial com quase 20 anos de serviço na Polícia Metropolitana, demonstrou desprezo pelas denúncias de estupro e violência doméstica feitas por uma mulher grávida, após um colega questionar a decisão de liberar o homem acusado sob fiança. Ele respondeu: “Isso é o que ela diz”.
- O policial Martin Borg descreveu com entusiasmo ter visto outro sargento, Steve Stamp, pisar na perna de um suspeito. Borg riu ao contar que se ofereceu para prestar depoimento afirmando que o suspeito havia tentado chutar o sargento primeiro. Não ficou claro pelas imagens de segurança se a alegação era verdadeira.
- O policial Phil Neilson disse ao nosso repórter, em um pub, que um detido que havia excedido o prazo do visto “deveria levar uma bala na cabeça” e que “os que transam, estupram mulheres, você pega no pênis e os deixa sangrar”.
O repórter disfarçado do Panorama, Rory Bibb, trabalhou durante sete meses como policial civil designado (DDO, na sigla em inglês). A função não envolve prisões, mas exige contato direto com sargentos e policiais.
A estação policial de Charing Cross, onde Bibb atuou, abriga uma das 22 centrais de custódia da Polícia Metropolitana, onde pessoas ficam detidas após a prisão e antes de serem acusadas ou liberadas. O local lida com situações de violência e também com indivíduos vulneráveis, entre eles jovens e pessoas com problemas de saúde mental.
A delegacia foi alvo de investigação do órgão independente de fiscalização policial, o Independent Office for Police Conduct (IOPC, Escritório Independente para Conduta Policial, em tradução livre), sobre assédio e discriminação há quase quatro anos. O órgão constatou que alguns policiais discutiam agredir namoradas, trocavam comentários ofensivos e discriminatórios e faziam piadas sobre estupro em grupos privados.
Denunciantes disseram ao programa da BBC que policiais com atitudes racistas e misóginas continuam atuando na unidade, apesar da promessa da corporação de eliminar “policiais problemáticos” e “falhas culturais”.
Misoginia ‘aterrorizante’
Os sargentos comandam o dia a dia das centrais de custódia e são responsáveis por zelar pelos valores e padrões éticos da Polícia Metropolitana.
Em Charing Cross, o sargento Joe McIlvenny foi filmado repetidas vezes em serviço exibindo atitudes misóginas.
Ao repórter disfarçado e a uma colega, McIlvenny descreveu uma mulher que disse ter conhecido online da seguinte maneira: “Ela ocupa a porta inteira, quase monstruosa.” Em seguida, afirmou que ela era “tão gorda que tinha duas vaginas: a real e a formada pela gordura em volta”.
McIlvenny também contou sentir prazer sexual quando seus mamilos eram estimulados, apesar da objeção de colegas mulheres que ouviram a conversa.
Ao falar sobre a ideia de perfurá-los, disse: “Minha tolerância à dor aumenta muito se estou excitado ao mesmo tempo. Então, vou perguntar se posso me masturbar…”
Como sargento da central de custódia, McIlvenny é quem decide se um suspeito permanece preso ou é liberado sob fiança após a acusação.

Quando uma policial questionou a decisão de liberar sob fiança um homem acusado de estuprar a namorada, ela ressaltou que ele também havia sido acusado de chutar a mulher grávida na barriga. O sargento Joe McIlvenny respondeu: “Isso é o que ela diz.” O Panorama não tem detalhes completos do caso.
A policial disse mais tarde ao repórter disfarçado que ficou revoltada com a resposta do sargento. “Ele disse: ‘Sim, é o que ela diz.’ Ele a pisou na barriga quando ela estava grávida”, afirmou. “Gostaria de me virar e dizer: ‘Seu idiota. Você é um idiota.’ Mas, infelizmente, não posso. Ele tem distintivos nos ombros.”
Sue Fish, que já foi chefe interina da polícia de Nottinghamshire (na região central da Inglaterra) e anteriormente presidiu oitivas sobre condutas inadequadas de agentes, analisou as imagens do programa Panorama e afirmou que os comentários sexualizados do sargento eram “completamente inapropriados e muito misóginos”.
Ao comentar sobre a declaração do sargento a respeito das denúncias de estupro e violência doméstica, Fish disse “como mulher e ex-policial”: pessoas como ele têm o poder de tomar esse tipo de decisão sobre a minha segurança ou a de outras mulheres, e isso é assustador.”
Fish já relatou ter sido vítima de assédio sexual duas vezes por colegas, uma vez quando era policial júnior e outra













