Índia fortalece presença farmacêutica no Brasil com criação da Abrifi

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Nova associação nasce às vésperas da viagem de Lula a Nova Délhi e pode impulsionar até US$ 80 bilhões em investimentos e produção no país

 

Empresas indianas do setor farmacêutico deram um passo estratégico no Brasil ao criar uma plataforma de organização das indústrias que já produzem no país. A Abrifi (Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica Indiana) foi lançada oficialmente nesta terça-feira (10), na Embaixada da Índia, em Brasília, poucos dias antes da viagem da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova Délhi, onde serão discutidas pautas comerciais e econômicas bilaterais.

O evento contou com a presença do governo federal, representado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Para ele, a nova entidade abre caminho para ampliar as relações entre Brasil e Índia e fortalecer parcerias na área da saúde.

Segundo Glauco Santos, diretor legal e de regulação da Abrifi, a expectativa é que o setor industrial indiano movimente cerca de US$ 80 bilhões no mercado brasileiro nos próximos anos. De acordo com o executivo, a associação terá papel central na redução de entraves burocráticos e regulatórios, favorecendo o aumento da produção local.

“Estamos em diálogo com o governo, especialmente com os ministros Geraldo Alckmin e Alexandre Padilha, que têm apoiado esse processo. Nossa meta é expandir a fabricação no Brasil”, afirmou Santos.

Durante a cerimônia, o embaixador da Índia em Brasília, Dinesh Bhatia, destacou que importantes empresas indianas de saúde já atuam no país e que há interesse em ampliar ainda mais essa presença. Para ele, a capacidade produtiva indiana pode contribuir para aprofundar as relações comerciais entre as duas nações.

Padilha lembrou que, em 2025, a Índia foi o país que mais ampliou as exportações de produtos de saúde para o Brasil, com destaque para medicamentos, equipamentos de proteção individual e tecnologias de gestão. O ministro adiantou que a viagem presidencial terá como foco a ampliação do comércio e a negociação de projetos inovadores, como a importação de tecnologias para hospitais inteligentes baseados em inteligência artificial.

Ele também citou um financiamento de R$ 1,4 bilhão do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos Brics, destinado à construção de um hospital totalmente digital e à implantação de 15 UTIs em diferentes regiões do país. “Esse projeto cria um ambiente favorável para novos investimentos em saúde”, afirmou.

Ao comentar a criação da Abrifi, Padilha ressaltou que o Brasil é o principal mercado de saúde para a Índia na América Latina. “Nosso interesse não é apenas que as empresas vendam aqui, mas que estabeleçam parcerias com instituições públicas e companhias nacionais. Por isso saudamos a nova associação e o fato de ter uma presidenta brasileira”, concluiu.

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