Ministro do STF afirmou a interlocutores que instalações do batalhão são superiores e criticou queixas feitas por aliados do ex-presidente
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de transferir Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, provocou reação negativa entre aliados do ex-presidente, que classificaram a medida como uma tentativa de humilhação. Nos bastidores, porém, o magistrado demonstrou surpresa com a resistência ao local, que, segundo ele, oferece condições melhores do que a unidade anterior.
As informações foram publicadas pela Coluna do Estadão, que relata que Moraes comentou a interlocutores, nos últimos dias, não compreender a rejeição de Bolsonaro à Papudinha. Em conversas reservadas, o ministro avaliou que a resistência só poderia ser explicada pelo estigma associado ao Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido por abrigar condenados por crimes graves, como tráfico de drogas e armas, formação de quadrilha, assassinatos e terrorismo.
Ao rebater as queixas, o ministro escreveu “Pasmem” e ressaltou que, “diferentemente dos 384.586 presos em regime fechado”, o local não apresenta superlotação. Segundo ele, há, na verdade, exclusividade na acomodação destinada a Bolsonaro.
Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) reconheceu que, “aparentemente”, Bolsonaro ficará em um espaço melhor e sem barulho, mas questionou: “Mas a pergunta ainda continua: por que não enviá-lo para casa?”
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, ironizou a situação ao afirmar: “Aqui se faz, aqui se paga”. A frase foi publicada junto a um vídeo em que Bolsonaro aparece comemorando a prisão de Lula, em abril de 2018.
A avaliação de Alexandre de Moraes é que Bolsonaro jamais enfrentou a realidade da superlotação do sistema prisional brasileiro, vivida por centenas de milhares de condenados que cumprem pena em regime fechado, cenário que contrasta com as condições oferecidas na unidade onde o ex-presidente está detido.












