Pagamento decorre de decisão sobre apresentação em PowerPoint na Lava Jato
247 – O ex-procurador da República Deltan Dallagnol realizou o pagamento de uma indenização por danos morais no valor de R$ 146,8 mil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após condenação definitiva da Justiça no episódio conhecido como o “caso do PowerPoint”, informa Rogério Gentile, da Folha de São Paulo. O montante foi depositado em conta judicial e deverá ser repassado ao presidente nos próximos dias, incluindo também os honorários de seus advogados.
A condenação é resultado de uma ação movida por Lula em dezembro de 2016, após uma entrevista coletiva concedida por Dallagnol, então integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato, na qual utilizou slides de PowerPoint para apresentar denúncia relacionada ao caso do tríplex do Guarujá.
A Justiça entendeu que, na entrevista de 2016, o ex-procurador extrapolou os limites de sua atuação funcional ao empregar termos considerados ofensivos à honra e à imagem de Lula, além de utilizar linguagem não técnica. Na ocasião, Dallagnol apresentou um fluxograma em que todos os 14 tópicos convergiam para o nome do presidente, classificando-o como o “grande general” de um esquema de corrupção na Petrobras e afirmando que ele teria comandado uma “propinocracia”.
Durante o processo, a defesa de Dallagnol sustentou que não houve dano moral nem violação à honra, argumentando que a entrevista coletiva teria sido concedida dentro do exercício regular de suas funções e com o objetivo de informar a sociedade sobre os desdobramentos da Lava Jato. Após a condenação, o ex-procurador voltou a se manifestar nas redes sociais com críticas ao sistema de Justiça: “Brasileiros, entendam: isso é o que acontece quando se luta contra a corrupção e a injustiça no BR. Essa é a reação do sistema, nua e crua. Lula sai impune e nós pagamos o preço da corrupção”, declarou.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações impostas a Lula pela Justiça Federal de Curitiba, incluindo o processo do tríplex do Guarujá, e reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro na condução dos casos. A decisão reforçou a tese sustentada pelos advogados do presidente de que as acusações tinham motivação política e que houve cerceamento de defesa. A anulação ocorreu dois anos e cinco meses após Moro deixar a magistratura para assumir um cargo no governo de Jair Bolsonaro.













